sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Pode não parecer, mas foi muito complicado terminar a 1ª edição desse BLOG. Ele começou a ser criado em nossas cabeças por um tempo considerável. Muitas das nossas idéias encaixaram-se, o que facilitava, mas sempre houve muitas discussões pra organizar nossos formigantes pensamentos e tentar resolver problemas como: delimitar os temas, escolher o título do BLOG, entre outros.
A idéia original era criar um espaço que falasse de artes (por que somos estudantes de história arte e arte produz pensamento), mas ele foi crescendo...
Se desprendeu do antigo nome: “PARANGOLÉS”. Por que ao pesquisarmos o assunto, descobrimos que não tinha muito sentido pra gente. Então depois de uma noite discutindo, surgiu o “CANTO--DA--SALA” que hoje é bem mais que um simples blog sobre artes, é um espaço onde nós vamos expor nossas idéias, nosso gosto estranho pra música, pra arte, pra literatura, ou seja, esse é o canto da sala, um lugarzinho pra onde você pode ir quando procurar publicação alternativa de assuntos que realmente interessam. Critique o quanto puder!
E seja bem vindo, quando entrar deixe seus sapatos na área e corra para o //CANTO--DA--SALA\\.
Essa 1ª edição é fruto de uma árdua pesquisa que resultou em muitas novidades até pra nós (os criadores do blog).
Nós vamos comentar, discutir e trocar informações sobre a pintora surrealista (que afirmou não o ser): Frida Kahlo. Vamos conhecer um pouco d’OS POETAS ELÉTRICOS e se der, até ouvir o som deles (isso fica a seu critério). Falar um pouco do misterioso livro “os 4 filhos do Dr. March”. Falar de filmes, como: “Primo Basílio” e “Um Som Diferente”. E quem resolver perder um pouco de tempo, pode dá uma olhadinha na 1ª parte de “Narrativas de uma Menstruação” ou no “Auto Retrato de Louco Quando Jovem”, ou mais ainda, dar uma viajada com “boca-de-álcool” na HQ “Mermão! Discussões Ligeiramente... Solitárias”, que tá massa.


Se quiser se orientar, olhe as datas de eventos artísticos, culturais e vagabundais.

Boa viagem...

"FRIDA KAHLO"





Filha de Guilherme Kahlo e de uma mestiça mexicana, não começou a pintar precocemente, e não estava interessada na pintura como uma carreira, em 1910 contrai poliomielite que a deixa com uma lesão em seu pé direito, ganhando assim o apelido "peg-leg frida" sendo esta a primeira de uma séries de enfermidades, acidentes, lesões e operações que sofre ao longo de sua vida. Em 1928 entra no partido comunista mexicano, casa-se com Diego Rivera. Sob influência do marido, adota o estilo reconhecido como naif. Em 1938 André Breton a qualifica como surrealista, mais tarde ela declara que "acreditavam que eu era surrealista, mais não o era. Nunca pintei meus sonhos. Pintei minha própria realidade".
Após sua morte, a sua casa transformou-se no museu Frida kahlo.
Pesquisas feitas com base na autópsia de Frida revelam que ela teria sido envenenada. Diego teria mandado uma de suas amantes colocar veneno de rato em sua comida.


OS POETAS ELÉTRICOS




Quer uma mistura originalmente sofisticada?
Eu ultimamente tenho ouvido (e lido) muito esses poeminhas ritmados eletricamente que acabaram se tornando poesia sonora do mais alto nível.

Liquidificando música e poesia, a dupla (Carito e Edu Gomez) reativou um projeto antigo e entrou em estúdio no início de 2004 com nome OS POETAS ELÉTRICOS e colocando como título do álbum a ser lançado o nome original do projeto "Poemas Eletri- Ficados & Outros Que Foram Embora".

Essa banda mescla duas formas de expressão que há muito não se tem usado:
Poesia + Música

Alguns podem achar um absurdo, mas não conheço quase nada desse nível que tenha sido feito nesse século.

Se alguém conhecer algo assim feito depois de Chico Buarque ter escrito:


"Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague"


E cá pra nós, Chico Buarque é seguinte: o que sobra de vivacidade e energia nas letras, falta nas músicas.



Ou de Mutantes com esses versos:


"Eu quis cantar minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer"


Acho que não tem, né?

Bem, por isso eu defendo que OS POETAS ELÉTRICOS formam a expressão artística mais inquietante do estado na atualidade, principalmente quem vai aos shows ou quem visita frequentemente o site http://ospoetaseletricos.com.br/ , pode perceber a criatividade dessas duas feras.
Quem quiser ouvir o som pode entrar nesse link (http://www.ospoetaseletricos.com.br/conteudo/discografia.htm)ou acessar o site que colocamos acima.



Os 4 filhos do Dr. March (Brigette Aubert)

A cada pg lida há um novo acontecimento que prende o leitor. Um assassino em série tira o sossego de uma pequena cidade, a empregada da família March, Jeanie, acha por acaso o diário do assassino e descobre que é um dos 4 filhos do Dr. Ela também possui um diário estabelecendo laços, criando assim um assustador jogo de escritas.
CONFIRA, O FINAL É SURPREENDENTE.

Thiago Costa 20/07/2007



“Um som diferente” (pump up the volume)


Este filme saiu em 1990. Resolvi falar dele agora por que andei passando por situações parecidas (mentiiiira!) ai lembrei dele. Bem, vamos ao filme:

É a historia de um adolescente que ao se mudar para uma cidade do interior, acaba ficando isolado. Com um aparelho que ganhou do pai, achou uma saída para sua falte de jeito com as pessoas: criar uma rádio pirata.

Ele, no inicio do filme, parece um desses jovens americanos que fica arranjando pretexto pra se revoltar. Mas depois, pode-se perceber que o diretor, Allan Moyle, soube tratar de uma forma bem madura os problemas da juventude.

Mark, em suas transmissões, se dirige de uma maneira bem grosseira aos professores e diretores de sua escola, por que não concorda com a metodologia de ensino repressiva usada por eles. E ele critica ate sua própria dificuldade de relacionamento.

“sou um babaca anônimo que senta do seu lado na aula de química e te olha, então dá um sorriso que sai todo errado. Aí, você pensa : ‘que patético!’ eu me viro e nunca mais te olho”.

O clichê do filme ficou por parte do relacionamento que rolou entre Mark e Norah (Samantha Mathis). Como de costume, o filme acaba tendo um ar meio romântico, mas não considero essa parte a pior, e sim aquela onde Mark a Norah são presos e terminam como heróis, aí o filme perde tanto o sentido quanto o eixo central no que se propôs.


Já a trilha sonora é um tema à parte:
Quem gosta de bandas de rock alternativo, deveria ouví-la. O filme é um passeio pelo espaço indie.
Bandas como Concrete Blonde, Cowboy Junkies, Soundgarden, Peter Murphy embalam a conturbada vida de Mark.

O cara parece ter um ótimo gosto, na sua rádio pirata toca, entre outras coisas, ”kick out the jams” da banda Bad Brains. Rola sons da banda Sonic Youth e, se eu não me engano, da já clássica – e sem amarras com qualquer estilo, Beastie Boys.
Com esse filme da pra se chegar a uma conclusão muito filosófica:
Não é só de punheta que é feita a cabeça de adolencentes!!!


“O Primo Basílio”



Esse filme se passa na década de 50 e conta a história de Luisa (Débora Falabella), uma jovem romântica casada com o arquiteto Jorge (Reynaldo Gianecchini). Ela encontra-se casualmente com Basílio (Fábio Assunção), seu primo e namorado de adolescência.
Enquanto Jorge viaja a trabalho, Luiza e Basílio tornam-se amantes.
Entre tardes de amor e bilhetes românticos, Luiza é descoberta por Juliana (Glória Pires), a empregada que sonha com a aposentadoria e usa o que sabe para atormentar e chantagear, transformando a vida de sua patroa num verdadeiro inferno.
O filme me prendeu bastante. A história me pareceu bem adaptada pro cinema (apesar de ainda não ter lido o livro).
A atriz que mais se destacou foi Glória Pires (Juliana). Há tempos que não a via em um papel tão brilhante e intrigante como esse.

Confira!

É um filme adaptado do romance do escritor português Eça de Queiroz.
Direção e produção de Daniel Filho.

A classificação é de 16 anos.

"Narrativas de uma Menstruação"

Ela, vivia quebrando a cara, mas nada que a fizesse desistir de viver – não que ela nunca tivesse pensado em suicídio, digo até que pela forma que ela encarava as coisinhas que a vida lhe aprontava, suicídio seria uma saída fácil, e até normal.
Um espírito cheio de vontade de viver que se frustra cotidianamente, é assim que...


Ângela: hei Franco, você tá tentando explicar minha vidinha comum, é isso?

Franco: é isso ai, mas cala a boca e deixa eu continuar!

...Ângela era uma pess...

Ângela: que papo é esse?! Por que tu ta narrando no passado? Ou melhor, por que tu tá narrando?

Franco: tô narrando no passado por que parece que você foi uma pessoa importante e tal, sacou? E isso que eu tô fazendo pode ser o próximo best-seller.

Ângela: tu quer ser escritor, é? Quero ver onde isso vai chegar!

Franco: pow, não me interrompe mais não!
Caro leitor, espero que me perdoe, algumas pessoas não se enxergam e gostam de ficar atrapalhando.
Voltando ao assunto...




Ângela é uma pessoa na qual se pode chamar de estranha: lia livros de filosofia nua.


Ângela: isso foi uma critica?


O que haveria de sedutor, de erótico nas palavras de Nietzsche, por exemplo?
Nem me pergunte, passei horas tentando arranjar uma explicação convincente, mas não rolou. Pergunta pra ela. Cada doido com suas manias...


Ângela: é, isso foi uma crítica!


Essa provável ninfomaníaca tinha uma bandinha chamada “Narrativa de Uma Menstruação” onde, segundo ela mesma, as letras da banda eram unicamente compostas durante seu ciclo menstrual. Juntando isso ao fato de ela ser lésbica (essa opção sexual, na época, parecia a peste negra – aquela epidemia ocorrida no século XIV, em que bastava uma pessoa estar contaminda num grupo pra que todo ele fosse dizimado, lembra? – isso acabava com as chances de qualquer homem hétero namorar, casar, ter filhos e ser feliz para sempre. Aliás, muito pelo contrário: pra um rapaz, ser feliz significava abdicar de qualquer pretensão sexual.) assim, você deve imaginar o teor dessas letras. Não, na verdade, nem passa por sua cabeça inocente as palavras, digamos... “peculiares” que essa moça deve escrever. Posso citar um exemplo:




CONTINUA...

“Auto-retrato de um louco quando jovem”



...Prazer, Ele.

Não foi nada de muito difícil para aquele garoto, o tal que tinha medo de recreio: isso foi deduzido depois de alguns colegas de sala terem lido frases horríveis no caderno dele sobre esse assunto. Não vejo por que todo esse horror ao intervalo de descanso escolar. Pra mim é a melhor parte do dia, principalmente quando se está no terceiro ano e pede-se a Deus que o ensino médio acabe-se logo – tudo enche o saco facilmente.

Ele tinha barba grande e olhar estranho. Acho que Ele fumava maconha... mas... voltando ao assunto;
Ele cochilava (como de costume) enquanto equilibrava a cadeira nas duas pernas de trás e escorava-se na parede – coisa que Ele dominava hermeticamente – quando por provável obra de macumba, as pernas da cadeira escorregaram derrubando-o. A sala de aula veio a baixo de tantas risadas.
...bem, esse é o ponto inicial de toda a história, simplesmente porque é o dia que eu notei que Ele existia. Eu achava que o tal era um novato e era seu primeiro dia na turma, então perguntei aos colegas e me responderam que Ele estava na sala desde o começo do ano, mas que era muito quieto e que por isso eu não o tinha notado.
Vi, depois, uma pessoa convidá-lo a uma festa que rolaria no final da aula. A resposta foi interessante:

— vou não, não costumo participar de manifestações públicas sem propósito aceitável.

Pensei: o que seria um propósito aceitável? Talvez uma manifestação contra a caça das baleias?

— não dá pra me imaginar participando disso.


Ele era realmente do tipo caladão, mas muito popular. Percebi que não ligava muito pras aulas (sempre cochilando, com as pernas atrepadas), mas, sei lá como, conseguia tirar as melhores notas da sala. Eu achava que Ele devia ser amigo dos professores, mas essa minha tese seria derrubada posteriormente. Às vezes durante a aula de matemática, o cara ficava lendo um desses clássicos da literatura (brasileira, lógico, o barbudo dizia-se ter preconceito contra escritores ingleses e americanos. Lia autores de outras nacionalidades, mas preferia os de língua portuguesa).


Um dia, durante um desses referidos episódios, resolvi me dirigir a Ele:

— hei, perguntei baixinho, você não gosta de matemática?

— gosto sim, respondeu meio incomodado.

— por que não presta atenção na aula, então?

— tô prestando, Ele cochichou, mas eu finjo estar lendo outra coisa, por que... posso te contar uma história?

— pode, claro! Respondi chamando-o para o fundão da sala.

CONTINUA...